Há mais de seis anos, antes de ser assassinada por fazendeiros em Anapu, no Pará, a Ir. Dorothy Stang já temia pelas consequências que a Hidrelétrica de Belo Monte provocaria naquela região caso fosse aprovada. “Ela temia pelo impacto socioambiental e pelo dinheiro público que seria jogado fora em uma hidrelétrica que vai ficar parada em torno de quatro meses por ano sem gerar um quilowatt de energia”, contou o procurador do Ministério Público Federal Felício Pontes Júnior, em entrevista, por telefone, à IHU On-Line. Após o homicídio da religiosa, Pontes Júnior não deixou de lutar pelas principais causas defendidas por Dorothy, inclusive contra Belo Monte. Na entrevista, o procurador critica fortemente o Ibama, que concedeu licenciamento para o início das obras no rio Xingu. “O Ibama será o grande responsável por uma degradação sem precedentes na nossa história.” Pontes Júnior também segue acompanhando de perto a evolução do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, iniciado por Dorothy. “É o verdadeiro projeto de reforma agrária para a Amazônia.” Felício Pontes Junior é procurador da República junto ao Ministério Público Federal em Belém com atuação na área indígena, ambiental e ribeirinha, e é mestre em Teoria do Estado e Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio. Confira a entrevista. IHU On-Line – Seis anos após a morte de Dorothy Stang, como o senhor analisa a situação de Anapu hoje? Felício Pontes Júnior – A população está organizada. Seis anos foram o suficiente para que se criasse uma organização muito forte. Há uma consciência de que o único desenvolvimento possível para a Amazônia, com relação à reforma agrária, é o que consegue conciliar o aumento econômico daquela população com a preservação do meio ambiente. É exatamente isso que o projeto da Ir. Dorothy previa. No último ano, o Pará se tornou o maior produtor de cacau do Brasil, exatamente por conta da contribuição das plantações de dentro do Projeto de Desenvolvimento Sustentável – PDS Esperança – da Ir. Dorothy. Para que haja plantação de cacau, você precisa ter a floresta em pé, o cacau precisa de sombra. Isso auxiliou muito no projeto que a Dorothy sonhava. Ela mesma levava as sementes de cacau para a floresta a fim de que os colonos pudessem plantar. Ainda há uma pressão muito grande dos madeireiros em cima daquela área. Até a morte da Irmã, os madeireiros tentavam atacar aquela área da floresta com papéis, títulos falsos. Depois, a estratégia mudou. Agora eles tentam infiltrar no assentamento trabalhadores de madeireiras como se fossem assentados, colonos da reforma agrária. Essas pessoas estavam tirando madeira dali, o último conflito ocorreu inclusive por causa disso. Aconteceu uma grande revolta, bloqueando estradas de acesso ao projeto PDS Esperança, parando até a Transamazônica. IHU On-Line – Que mudanças ocorreram nestes seis anos? Felício Pontes Júnior – É visível a mudança econômica na vida das pessoas que acreditaram no PDS Esperança. Vemos colonos da reforma agrária que chegaram lá sem ter “nem um facão amolado”, como eles mesmos dizem, e hoje estão motorizados. Têm veículos de carga, embora pequenos e usados, e motocicletas. Isso é uma prova evidente do desenvolvimento econômico que está acontecendo naquela região, graças ao projeto. O PDS está localizado a 50 quilômetros da sede da cidade de Anapu. O que se vê nestes 50 quilômetros é um rastro de miséria deixado por projetos de pecuária que não deram certo. As pessoas que se voltaram para o gado não conseguiram desenvolvimento econômico. O PDS Esperança é o verdadeiro projeto de reforma agrária para a Amazônia. Por isso é alvo de tanta cobiça por parte de fazendeiros e madeireiros. IHU On-Line – O que a Ir. Dorothy Stang diria dos atuais desdobramentos em torno do licenciamento de Belo Monte? Felício Pontes Júnior – Tive a oportunidade de conviver intensamente com a Ir. Dorothy durante os últimos cinco anos da vida dela. Essa era uma grande preocupação dela – temia que o Projeto Esperança fosse por água abaixo se Belo Monte acontecesse. Ela temia que não houvesse planejamento e estrutura suficientes para abrigar as pessoas que viriam para a região, principalmente em Anapu, Altamira e Vitória do Xingu, as cidades mais afetadas. Naquela oportunidade nós já tínhamos a informação de que Belo Monte não se sustentava do ponto de vista econômico. Quem conhece o rio Xingu, e Dorothy o conhecia muito bem, sabe que a vazão do Xingu é uma coisa impressionante entre a seca e a cheia. No período de cheia ela vai atingir 30 mil metros cúbicos de água por segundo, mas no período da seca é de apenas mil metros cúbicos por segundo. Isso demonstra que a propaganda do governo, que dizia que teríamos 11.000 megawatts de energia, é uma mentira. Inclusive na entrevista do presidente da EPE na semana passada ele confessou que teremos, no máximo, 4000 megawatts de energia. Depois de dez anos de conflito eles admitem que é uma hidrelétrica de porte médio, no que tange a geração de energia, e não de grande porte, como era propagado, embora os efeitos danosos sejam imensos. Tudo isso já havia sido denunciado por Dorothy Stang. Ela temia por estas duas coisas: pelo impacto socioambiental na região e pelo dinheiro público que seria jogado fora em uma hidrelétrica que vai ficar parada em torno de quatro meses por ano sem gerar um quilowatt de energia. IHU On-Line – Como o senhor analisa a atuação do Ibama no caso de Belo Monte? Felício Pontes Júnior – Pelo impacto desse licenciamento indevido, hoje podemos dizer que o Ibama é o maior violador das normas ambientais na Amazônia. É o que vai causar maior impacto sobre a região com esse licenciamento fajuto. Quando você percebe que existe a previsão de mais de 60 barragens nos rios da Amazônia, ou seja, em praticamente todos, não há outra afirmação a fazer. Há vários projetos grandes e prejudiciais na região amazônica, mas nenhum deles se compara a esses licenciamentos de hidrelétricas. O Ibama será o grande responsável por uma degradação sem precedentes na nossa história. Barrando os rios à maneira como está sendo feita, inventando licenças parciais e que não existem, o Ibama está tentando jogar com o governo federal, fazendo com que o fato esteja consumado. Para que quando as ações judiciais cheguem ao fim, a barragem esteja praticamente pronta. Será que algum juiz vai ter coragem de dizer: “Então vamos destruir a barragem?" Infelizmente, o Ibama se mostrou um órgão extremamente conivente com todas as barbaridades e atentados às leis que estão sendo cometidos pelo governo federal aqui na Amazônia. IHU On-Line – O que aconteceu na última audiência em Anapu, que diminuiu o clima de tensão do povo do PDS Esperança? Felício Pontes Júnior – Nessa audiência o povo do projeto teve um grande resultado que foi um compromisso, tanto do Incra como da Força Nacional, de estarem presentes na região de maneira permanente. O escritório do Incra em Anapu volta a funcionar de maneira muito mais estruturada e recebemos a promessa de que as forças de segurança estarão na região durante todo o ano. Essa foi uma grande conquista dos trabalhadores do PDS Esperança na audiência pública. IHU On-Line – Como é a vida nesse projeto hoje? Felício Pontes Júnior – Temos uma comunidade cada vez mais forte. A prova disso é a fundação recente de um sindicato de trabalhadores da agricultura familiar, pois não se sentiam representados pelo sindicato antigo. Mais ainda, do ponto de vista econômico, eles viram agora a necessidade de formar uma cooperativa. Quando se organiza um sindicato e uma cooperativa, mostra que está havendo um fortalecimento nos laços de trabalho, de amizade. Ir. Dorothy recebeu aquelas pessoas que eram excluídas, gente de todo o Brasil, expulsos de suas terras por grandes projetos, latifúndios. E essas pessoas tiveram de se agrupar, morar juntas sem nem se conhecerem, formar uma comunidade nova. Esse vínculo que não existia começa a se tornar extremamente forte. IHU On-Line – O que falta para o povo que era atendido pela Ir. Dorothy? Felício Pontes Júnior – A estrutura que o Incra dá aos assentamentos ainda não chegou de forma efetiva àquela região. Embora o órgão tenha se esforçado bastante, ainda não foi suficiente. Não temos, por exemplo, todas as casas do crédito habitação construídas, nem todos os recursos do crédito de fomento concedidos aos moradores. Muito foi construído somente com o suor e com o braço das pessoas que estão lá, com um apoio do governo que ainda não é integral, mas que já foi significativo se compararmos com outros assentamentos na Amazônia. Passo a passo, porém, todos estão percebendo que o assentamento tem progredido, mesmo que, a meu ver e ao do Ministério Público Federal, esse processo poderia ter sido mais rápido. Mas é visível a cada ano a melhora na qualidade de vida das pessoas que estão lá. IHU On-Line – E quais os próximos desafios para os integrantes do projeto? Felício Pontes Júnior – A preocupação do MPF naquela região é a presença da polícia. É isso que os assentados da reforma agrária pedem – que a polícia esteja presente e que não seja comprometida com fazendeiros e madeireiros da região. Tem de ser isenta. A polícia e Força Nacional precisam habitar Anapu, pois é um ano de consolidação do projeto. Além dos assentados, quem pede a presença da polícia lá é a Comissão Pastoral da Terra. É uma prova de que não temem, de que estão trabalhando dentro da legalidade. Se a gente conseguir que as forças de segurança estejam presentes naquela região, teremos uma superprodução de cacau, que tem um melhor preço, e de outras frutas que também foram plantadas lá. Isso fará com que alavanque ainda mais o desenvolvimento das pessoas que vivem naquela região, principalmente no PDS Esperança. IHU On-Line – Qual sua opinião sobre a postura do Judiciário no processo de julgamento dos assassinos da Ir. Dorothy Stang? Felício Pontes Júnior – A mobilização da imprensa nacional e internacional e dos movimentos sociais na Amazônia possibilitou que os cinco envolvidos no caso de Dorothy Stang fossem julgados e condenados. O que causa uma estranheza muito grande é que o principal deles, o que planejou a morte e contratou os demais, esteja solto até hoje, embora condenado a 30 anos de cadeia. Ele está solto exatamente por conta de uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, que concedeu o direito de apelar em liberdade. Isso mostra que Judiciário ainda está muito longe do ideal de justiça que a população deseja. Vejo o judiciário extremamente distante, desassociado da sociedade. O mesmo acontece em relação a Belo Monte. Temos vencido ações judiciais no Pará, mas são suspensas no Tribunal Regional Federal de Brasília, que também tem uma postura extremamente distante da realidade. É um poder Judiciário extremamente político. Quando lemos algumas dessas decisões, percebemos que as pessoas que estão decidindo não têm noção do que pensa e o que quer a sociedade brasileira, principalmente a sociedade amazônica. Um judiciário que está fora da realidade brasileira, que se sente acima da realidade, é extremamente perigoso para o país, tanto é que Belo Monte recebeu o licenciamento mesmo com dez ações judiciais propostas, muitas favoráveis, mas suspensas. Porém, nós continuaremos fazendo a nossa parte, não vamos desistir. O que faz com que cada um de nós durma tranquilo aqui na Amazônia é o fato de não sermos omissos perante tanta injustiça. (Envolverde/IHU On-Line) | |
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
MAIS VERDADES - "Irmã Dorothy, Anapu e Belo Monte..."
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
ERA ECOZÓICA..
Quem leu meu artigo anterior O antropoceno:uma nova era geológica deve ter ficado desolado. E com razão, pois, quis intencionalmente provocar tal sentimento. Com efeito, a visão de mundo imperante, mecanicista, utilitarista, antropocêntrica e sem respeito pela Mãe Terra e pelos limites de seus ecossistemas só pode levar a um impasse perigoso: liquidar com as condições ecológicas que nos permitem manter nossa civilização e a vida humana neste esplendoroso Planeta. Mas como tudo tem dois lados, vejamos o lado promissor da atual crise: o alvorecer de uma nova era, a do Ecozóico. Esta expressão foi sugerida por um dos maiores astrofísicos atuais, diretor do Centro para a História do Universo, do Instituto de Estudos Integrais da Califórnia: Brian Swimme. Que significa a Era do Ecozóico? Significa colocar o ecológico como a realidade central a partir da qual se organizam as demais atividades humanas, principalmente a econômica, de sorte que se preserve o capital natural e se atenda as necessidades de toda a comunidade vida presente e futura. Disso resulta um equilíbrio em nossas relações para com a natureza e a sociedade no sentido da sinergia e da mútua pertença deixando aberto o caminho para frente. Vivíamos sob o mito do progresso. Mas este foi entendido de forma distorcida como controle humano sobre o mundo não-humano para termos um PIB cada vez maior. A forma correta é entender o progresso em sintonia com a natureza e sendo medido pelo funcionamento integral da comunidade terrestre. O Produto Interno Bruto não pode ser feito à custa do Produto Terrestre Bruto. Aqui está o nosso pecado original. Esquecemos que estamos dentro de um processo único e universal – a cosmogênese – diverso, complexo e ascendente. Das energias primordiais chegamos à matéria, da matéria à vida e da vida à consciência e da consciência à mundialização. O ser humano é a parte consciente e inteligente deste processo. É um evento acontecido no universo, em nossa galáxia, em nosso sistema solar, em nosso Planeta e nos nossos dias. A premissa central do Ecozóico é entender o universo enquanto conjunto das redes de relações de todos com todos. Nós humanos, somos essencialmente, seres de intrincadíssimas relações. E entender a Terra com um superorganismo vivo que se autoregula e que continuamente se renova. Dada a investida produtivista e consumista dos humanos, este organismo está ficando doente e incapaz de “digerir” todos os elementos tóxicos que produzimos nos últimos séculos. Pelo fato de ser um organismo, não pode sobreviver em fragmentos mas na sua integralidade. Nosso desafio atual é manter a integridade e a vitalidade da Terra. O bem-estar da Terra é o nosso bem-estar. Mas o objetivo imediato do Ecozóico não é simplesmente diminuir a devastação em curso, senão alterar o estado de consciência, responsável por esta devastação. Quando surgiu o cenozóico (a nossa era há 66 milhões de anos) o ser humano não teve influência nenhuma nele. Agora no Ecozóico, muita coisa passa por nossas decisões: se preservamos uma espécie ou um ecossistema ou os condenamos ao desaparecimento. Nós copilotamos o processo evolucionário. Positivamente, o que a era ecozóica visa, no fim das contas, é alinhar as atividades humanas com as outras forças operantes em todo o Planeta e no Universo, para que um equilíbrio criativo seja alcançado e assim podermos garantir um futuro comum. Isso implica um outro modo de imaginar, de produzir, de consumir e de dar significado à nossa passagem por este mundo. Esse significado não nos vem da economia mas do sentimento do sagrado face ao mistério do universo e de nossa própria existência.Isto é a espiritualidade. Mais e mais pessoas estão se incorporando à era ecozóica. Ela, como se depreende, está cheia de promessas. Abre-nos uma janela para um futuro de vida e de alegria. Precisamos fazer uma convocação geral para que ela seja generalizada em todos os âmbitos e plasme a nova consciência. *Leonardo Boff é autor de Cuidar da Terra-Proteger a vida. Record 2010. (Envolverde/O autor) | |
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
BROTOS (SEMENTES GERMINADAS) - ALIMENTO COMPLETO
"As sementes são verdadeiros acumuladores biológicos de energia solar e cósmica, sob forma de energia nutritiva e alimentar.
No processo de germinação desencadeado pela água, pelo ar e pelo calor, entra em operação dentro de cada semente uma poderosa 'usina' produtora de enzimas e de outras substâncias biologicamente ativas. Os elementos que já nela existiam também são liberados nessa fase atual de crescimento da planta, tornando-se mais facilmente assimiláveis. O processo de germinação aumenta o teor de vitaminas e faz com que os minerais e os oligoelementos assumam uma forma mas adequada e aproveitável para o desenvolvimento da planta recém nascida. Libera a energia vital acumulada na semente, estimulando todos os processos biológicos de reprodução celular.
quando nos alimentamos de sementes germinadas, utilizamos essas reservas de energia cósmico-nutritivas, que nunca irão aparecer em concentração semenlhante na vida posterior de uma planta. Aos poucos ela vai consumindo tais reservas, quando suas primeiras folas se desenvolvem o suficiente, passa a nutrir-se através delas e de suas raízes incorporando assim uma outra qualidade de energia." (Plantas que ajudam o Homem - Dr. José Caribé, Dr. José maria Campos)
O essencial para o cultivo de brotos é que as sementes sejam cultivadas orgânicamente, tenham um bom poder de germinação e estejam livres de tratamento químico. A água utilizada para o cultivo deve ser a melhor possível, de preferência mineral. Principalmente na fase inicial de absorção - período em que as sementes permanecem de molho - uma água pura é essencial. Para enxaguar as sementes a água não deve ser fria demais, deve estar na temperatura da mão. Somente nos dias mais quentes,a água fria é indicada.
- os brotos devem ser mantidos úmidos e nunca encharcados
- temperatura média em torno dos 21ºC
- lavar regularmente, sempre nos mesmos horários, no mínimo 2 vezes ao dia
- em dias frios, cobrir os vidros com um tecido mais quente
- o local para o cultivo deve ser tranquilo, harmonioso, arejado e não muito iluminado
- usar somente frasco de vidro transparente
Causas para má germinação:
- sementes de má qualidade, velhas demais, machucadas, quebradas ou armazenadas inadequadamente;
- quando mantidas secas demais dentro do vidro;
- sementes úmidas demais ou tratadas, o que poderá levar ao apodrecimento;
- temperatura ambiente muito baixa;
- produção excessiva de gases devido a má circulação de ar no vidro, enxague inadequado,muito compactadas no vidro, temperatura ambiente muito elevada
- excesso de luz
- má qualidade da água
- frasco de metal em vez de vidro
- bactérias ou fungos
BROTOS DE GIRASSOL: selecionar as sementes, lavar em uma vasilha e deixar de molho em um recipiente de vidro (pirex) durante 12hrs, da noite para o dia seguinte. Enxaguar bem e deixar no vidro tampado com pano de algodão muito limpo, preso com elástico (fig acima). Deixe o vidro inclinado sobre o escorredor de pratos, por explo, para retirar todo o excesso de água. Enxaguar novamente à tarde e à noite.
-Transformações através da germinação do broto de girassol:
- as proteínas (30%) transformam-se em todos os aminoácidos essenciais;
- as gorduras (36%) transformam-se em substâncias oleosas solúveis;
- as vitaminas B1, B2,B3,B12, E, F, K e a vitamina D ( rara em plantas)aumentam consideravelmente;
- o manganês, o cobre e o fósforo tornam-se mais facilmente assimiláveis pelo organismo;
- as enzimas aumentam em quantidade;
- contém potássio, cálcio,magnésio, zinco, cobalto, iodo, flúor e cloro;
- nenhuma planta contém tanto ferro como o girassol.
Grupos de Brotos:
As sementes foram ordenadas de acordo com seus hábitos de germinação e não de acordo com princípios botânicos ou biológicos:
- Sementes pequenas: alfafa, mostarda, gergelim, painço, amaranto, couve-rábano etc. - todas elas crescem rápido, possuem aroma limpo e marcante através do qual estimulam o organismo. Ideais para saladas, sopas ...
- Cereais: trigo, arroz, centeio, cevada, milho e aveia - geralmente soltam o germe e a raiz em 2 dias e devem ser usados bem jovens, tenros enquanto o germe e a raiz não forem maiores que o próprio grão. complementam qualquer prato , principalmente saladas.
- Leguminosas de casaca mole: lentilha, feijão moyashi, feijão azuki - fáceis de cultivar mesmo em grandes quantidades
- Leguminosas de casca dura: grão-de-bico, ervilha, soja amarela - são muito nutritivos, mas deve ser refogados antes do consumo.
- Sementes produtoras de muco: agrião, linhaça, rúcula - durante o período de molho formam substância mucosa e pegajosa - crescem melhor sobre uma superfície úmida (pano de algodão, papel-filtro, etc) e tem sabor picante.
- Sementes de casca indigesta: girassol, trigo-mourisco e sarraceno, abóbora e amêndoa. Após a germinação as casacas devem ser retiradas.
(Plantas que ajudam o homem- Dr.José Caribé e Dr. José maria Campos)
BOM APETITE...
sábado, 5 de fevereiro de 2011
ERVA-MATE: MANEJO SUSTENTÁVEL
Nomes comuns: caá, acáguçu, carvalho-branco, congoín, congonha. erva-congonha, erva verdadeira, erveira, mate ...
Área de ocorrência natural: no Brasil do Rio Grande do Sul até São Paulo, nas altitudes entre 400 e 1.800m.
Seu ambiente característico é a Flolresta Ombrófila Mista Montana - floresta com araucárias e Floresta Estacional Semidecidual, rara na Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica) (CARVALHO,1994);
- suas folhas em geral medem entre 2 a 10cm de comprimento por 4 a 5 de largura, sendo que sob sombreamento sob matas nativas podem chegar a 23 por 10cm;
- florece entre setembro e dezembro;
- frutifica de janeiro a março, e o fruto, a medida que amadurece, varia entre verde, branco, vermelho até ficar preto, quando atrai pássaros que favorecem sua disseminação;
- as sementes demoram para germinar porque apresentam casca áspera e dura - melhor realizar quebra de dormência;
- em estado natural necessita de sombreamento para se desenvolver, principalmente nos primeiros 6 meses;
- sua produtividade média estabiliza-se aos 10-12 anos, sendo em torno de 14 a 20 kg por árvore,mas em erveiras nativas chega a produzir em torno de 80 a 180kg por árvore, porém o rendimento varia de região para região.
- Manejar os ervais nativos ou plantados com o objetivo de manter ou incrementar a produtividade aliada à qualidade;
- fazer a colheita nos meses de maio a agosto, retirando no máximo 70% de folhas por planta, cuidando para não machucá-la;
- adensar as clareiras existentes com plantas de erva-mate ou espécies nativas da região, conforme necessidade;
- utilizar mudas produzidas na região e com excelente qualidade nos plantios e adensamentos com erva-mate;
- não utilizar nenhum tipo de agrotóxico nas áreas com erva-mate ou realizar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e fazer o uso de alternativas ecológicas para o controle de pragas;
- utilizar em sistema agrosilvipastoril, para o qual é bem indicada para ampliação da renda dos produtores;
- realizar pesquisas que estabeleçam a relação entre o grau de luminosidade com a produção e a qualidade da erva. De acordo com o INOUE (1983) , os melhores resultados para altura, peso total, peso aéreo e de raiz, foi obtido em condições de sombreamento entre 15 e 50% de luz plena do dia em plantas com 6 meses de idade, demonstrando a sua característica de espécie de sombra.
- aumentar nas florestas com ervais nativos, a capacidade de regeneração e concentração do mate e a diversidade total da área. (Fabiana Maia de Andrade - Engenheira Florestal)
- num plantio planejado, a poda pode ser realizada a cada 2 anos, em nativas a cada 3 anos;
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Carta do Povo Kaiowá e Guarani à Presidenta Dilma
A questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra, da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. Presidenta Dilma, roubaram nossa mãe. A maltrataram, sangraram suas veias, rasgaram sua pele, quebraram seus ossos... rios, peixes, arvores, animais e aves... Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. Para nós isso é destruição, é matança, é crueldade. Sem nossa mãe terra sagrada, nós também estamos morrendo aos poucos. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá, nossos terras tradicionais. Não estamos pedindo nada demais, apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais. No final do ano passado nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta. Agora, estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. Esperamos que não seja um prêmio de consolação, com o sabor amargo de uma cesta básica, sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta, especialmente na reconquista de nossas terras. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades, para os acampamentos, para os confinamentos, para os refúgios, para as retomadas... Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos. Presidente Dilma, a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Por último o ex-presidente Lula, prometeu, se comprometeu, mas não resolveu. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. E nós não podemos mais esperar. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat, considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo. Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Sem nossos tekohá, a violência vai aumentar, vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. Acreditamos que não. Por isso, lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito. Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani Dourados, 31 janeiro de 2011 (Envolverde/Brasil de Fato) | |
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
PEQUENOS PROJETOS PARA GRANDES PROBLEMAS - pequeno , bonito e mais barato
Houve tempo em que se popularizou a expressão “small is beautiful” (o pequeno é bonito), que pretendia demonstrar, principalmente na área ambiental, que pequenas iniciativas, pequenas obras, eram um caminho mais fértil, mais barato, de benefícios sociais mais amplos. Hoje a expressão parece em desuso, ao mesmo tempo que se ampliam informações sobre megaobras (que custam fortunas) como solução para problemas sociais, ambientais e econômicos – quando, quase sempre, elas são desperdiçadoras de recursos e concentradoras de benefícios, principalmente nas megaempresas que as executam e influenciam as macropolíticas do País. Talvez o exemplo mais claro, já comentado neste espaço, seja o da área de energia, em que quase só se planejam mega-hidrelétricas na Amazônia ao custo de dezenas de bilhões de reais, além de outras problemáticas para áreas indígenas e de preservação legal – sem discussão clara com a comunidade científica, que tem apontado outras possibilidades, poupadoras de recursos que poderiam ser destinados a áreas sociais muito carentes. Ainda agora, noticia-se também (Estado, 30/12) que o BNDES emprestará R$ 6,1 bilhões (56,8% do valor total) para construção da usina nuclear Angra 3. Na verdade, a obra já foi iniciada – embora a licença concedida estabelecesse a condicionante de se definir, antes, a destinação final dos resíduos nucleares altamente perigosos, e isso não ocorreu. Sem esquecer o que o cientista Carlos Nobre, coordenador da política nacional do clima, afirmou no programa Roda Viva, da TV Cultura, que esse projeto precisaria ser revisto com cuidado, diante da inconveniência de implantar usinas nucleares à beira-mar, com o processo já em andamento de elevação do nível do oceano. Mas segue-se em frente, como se nada tivesse sido dito. E ainda se planejam mais quatro usinas do mesmo tipo. Não é muito diferente na área do saneamento, em que mais de 50% da população (mais de 107 milhões de pessoas) continuam sem rede coletora de esgotos, menos de 30% dos esgotos coletados são tratados e quase 40 milhões de pessoas não recebem água tratada em suas casas (Gesner de Oliveira, ex-presidente da Sabesp, 2011) – com graves consequências também na área de saúde, na qual as doenças veiculadas pela água são a principal causa de internações e consultas na rede pública; e na dos recursos hídricos, em que o despejo de esgotos sem tratamento é a principal causa de poluição. Mas nem se acena com qualquer possibilidade próxima de solução, pois se argumenta que para universalizar o atendimento na área serão necessários megainvestimentos de R$13,5 bilhões por ano durante 15 anos (Folha de S.Paulo, 7/1). Ou R$ 255 bilhões, segundo a Sabesp. E ainda é preciso lembrar que os investimentos pelo PAC nesse setor – de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões por ano – não têm chegado nem à metade do planejado. Talvez seja a hora de relembrar, então, que, dada a urgência de soluções para a sociedade, o pequeno pode ser bonito – e muito mais rápido. Começando pelo saneamento. Brasília é hoje a capital com maior índice de coleta de esgotos, acima de 90%, graças ao sistema condominial, criado pelo pernambucano José Carlos Mello e introduzido na cidade no início da década de 90. Que, eliminando, nas quadras internas em áreas de expansão, a maior parte das caríssimas redes coletoras de grandes manilhas de concreto, conseguiu ali, com enorme economia, chegar bem perto da universalização. No Brasil já existem cerca de 5 milhões de pessoas beneficiárias do sistema, além de 1 milhão no Peru. Mas continua muito forte a resistência das empresas estatais a adotar esse caminho e restringir megaobras. Não é a única solução de menor porte. A própria Agência Fapesp, junto com o Instituto de Geociências da USP, desenvolveu modelo eficiente de fossas sépticas para comunidades de menores recursos, capazes de degradar a matéria orgânica nos esgotos e dar tratamento adequado ao nitrogênio, que costuma permanecer durante décadas nas águas próximas das fossas convencionais (e 75% dos municípios paulistas já usam águas subterrâneas). Com a vantagem de que as fossas podem ser construídas por qualquer pedreiro, a custo baixíssimo (Agência Fapesp, 27/8/2010). No Paraná, onde 57,9% das cidades não dispõem de redes de coleta de esgotos (Ambiente Brasil, 27/12/2010), também se começam a instalar “estações de tratamento de esgotos por zona de raízes”, um sistema em que plantas filtram o efluente antes de lançá-lo na natureza. Uma estação para tratar efluentes de uma casa pode ser feita em dois dias e custar R$ 500. Ou pouco mais, em pequenos conjuntos. Os coliformes fecais são reduzidos em 99%. Já há projetos maiores em andamento, como, em São José dos Pinhais (PR), uma estação para tratar os efluentes de 700 pessoas. A bióloga Tamara Van Kaick, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, atesta a eficiência do sistema. Ainda na área do saneamento, é inacreditável que não se implantem sistemas para financiar a recuperação de redes de água, quando a perda média em nossas cidades é de 40% da água que sai das estações de tratamento e custa de cinco a sete vezes menos recuperar um litro de água que obter um litro “novo” com novas barragens, novas adutoras e novas estações de tratamento. Mas as prefeituras não conseguem recursos para entrar por esse caminho econômico. Da mesma forma, dezenas de bilhões de reais vão para projetos como o da transposição das águas do Rio São Francisco e, em boa parte, para cidades com esses níveis de perda – enquanto é enorme a luta para conseguir mais recursos para construir cisternas de placas nas comunidades isoladas do Nordeste, capazes de abastecer de água uma família durante toda a estiagem. Cada uma delas custa cerca de R$ 1,3 mil, mas só foram instaladas 323 mil, quando se precisa de mais 1 milhão. “Small is beautiful” – é preciso, mais que nunca, gritar pelas ruas. *Washington Novaes é jornalista. **Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de S.Paulo. (Envolverde/Mercado Ético) | |
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Vide "tratamento alternativo de esgotos domésticos" neste blog - mês , janeiro
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
PROJETO FLOR GENTIL - EXEMPLO DE BEM VIVER
Gentil é pouco para se falar sobre esse projeto. Helena Lunardelli, florista, há 10 anos decorando festas e campanhas publicitárias, criadora do projeto Flor Gentil - agora seu projeto de vida - deu um nobre destino às flores utilizadas nestas cerimônias. No dia seguinte, após os eventos, Flor Gentil e voluntários recolhem essas flores, selecionam, montam lindos e pequenos buquês para serem entregues e presentear idosos em asilos e casas de repouso, levando beleza, carinho, alegria e vida a estas pessoas.
Quem quiser pode ser parceiro e multiplicar esse lindo e carinhoso gesto pelo Brasil afora...
florgentil.com.br
Quem quiser pode ser parceiro e multiplicar esse lindo e carinhoso gesto pelo Brasil afora...
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Petróleo - ENERGIA SUJA!
Há muitos anos que o mundo sabe dos problemas gerados pela exploração das energias fósseis, em especial o petróleo. Evidente que o petróleo e o carvão foram as bases energéticas do crescimento industrial e econômico, mas também foram os causadores da situação calamitosa em que se encontra o planeta em termos de poluição, aquecimento global e desastres ambientais. Juan Pablo Péres Afonso, antigo ministro da energia da Venezuela falecido em 1979 e um dos criadores da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), disse certa vez uma frase que define bem o problema: “Dez anos, vinte anos a partir de agora, vocês verão que o petróleo será a nossa ruina... Petróleo é o excremento do diabo!". O planeta exige fontes limpas de energia e o petróleo é uma das mais poluidoras que existe. Aqui no Brasil, de acordo com a ANP (Agência Nacional de Petróleo), a Petrobrás lança entre 7 e 10 milhões de toneladas de CO2 por ano na atmosfera e, apesar de já ter reduzido a queima de gás, em novembro de 2010 ela foi de, aproximadamente, 7 milhões de m3 de gás por dia em suas plataformas. Se este gás fosse jogado na atmosfera ao invés de ser queimado, a poluição seria muito maior, pois o gás metano emitido é cerca de 20 vezes mais nocivo que o CO2 produzido pela queima deste gás. Em termos de poluição, o problema mais sério vem agora, com a descoberta de enormes jazidas de petróleo na camada pré-sal. O físico José Goldemberg já alertou que não podemos fechar os olhos para tamanha riqueza, mas a exploração incorreta pode gerar uma grande decepção, pois seus problemas ambientais são simplesmente desconhecidos. Além do problema do grande aumento de emissão de C02 pelo aumento de volume produzido temos o agravante da localização, pois quando falamos de pré-sal estamos falando de extrair petróleo a uma profundidade entre 5 e 7 mil metros e não podemos esquecer os recentes problemas no golfo do México, onde não conseguiam fechar uma válvula a 1500 metros de profundidade e o petróleo vazou no mar durante praticamente três meses, com danos incalculáveis ao meio ambiente. Será que a natureza já não mandou recados suficientes para o ser humano parar esta corrida desenfreada rumo ao caos? Evidente que o petróleo é a base energética de todo o mundo e não vivemos sem ele, mas temos que investir em energias limpas e reduzir, de uma forma metódica e planejada, as energias sujas. Caso contrário, em breve, veremos que Juan Pablo Péres estava certo quanto ao excremento do diabo. Isto não é pessimismo ou baboseira; é uma simples projeção realista dos fatos que vemos diariamente. *Célio Pezza é escritor (http://www.celiopezza.com/livros.html), mas tem sua formação acadêmica em Química e Administração de Empresas. Nascido em Araraquara, interior de São Paulo, Célio mora atualmente em Veranópolis, no Rio Grande do Sul. (Envolverde/O autor) | ||||
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
MATA ATLÂNTICA - MANEJO SUSTENTÁVEL
MANEJO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS FLORESTAIS DA MATA ATLÂNTICA
A Mata Atlântica se encontra atualmente reduzida a apenas 7,3% de sua área original. Grande parte das atividades de agricultura e pecuária, e cerca de 60% da população estão estabelecidas em áreas originalmente cobertas pela Mata Atlântica.
Este Bioma ainda possui grande biodiversidade e é apontado como tendo uma das maiores taxas de diversidade do mundo. Entre muitas das espécies da Mata Atlântica, encontramos vários de grande importância para nossa subistência, fontes de recursos utilizados no nosso dia-a-dia, como: madeiras nobres, lenha, óleos, alimentos, medicamentos, fibras, flores e etc.
MADEIRAS: Peroba, Canela, Imbúia, Araucária, Cedro, Pau-Brasil, Caixeta, Bracatinga,Jacatirão e outras.
ALIMENTOS: Palmito, Pinhão, Erva-Mate, Caju, Maracujá, Maracujá doce, Bacupari, Pinha, Goiaba, Jabuticabas, Araçás, Goiaba serrana, e outras

MEDICAMENTOS: Espinheira Santa, Ginseng Brasileiro, Carqueja, Chapéu de couro, Embaúba, Guaçatonga, Pariparoba, Jaborandi, Caraguatá e outras.
Espinheira santa
FIBRAS: Piaçava, Cipó imbé, tucum, Imbiruçu, Banana-do-mato, Indaiá e etc
Piaçava
A utilização sustentável dos recursos da Mata Atlântica, ou seu Manejo sustentável, exigem conhecimentos sobre a ecolgia da floresta e sobre a ecologia da espécie produtora do recurso florestal. Manejo sustentável significa utilizar os recursos de maneira que possam se recuperar e que continuem a existir para usufruto das gerações futuras.
Os fundamentos para o Manejo Sustentável das espécies da Mata Atlântica são estabelecidos a partir das pesquisas realizadas pelas Uniersidades e Institutos de pesquisa, assim como os conhecimentos acumulado por vários anos de observações e experiências realizadas por comunidades que tradicionalmente extraem recursos da floresta.
Para qualquer intervenção em uma floresta, é necessário antes realizar um levantamento sobre quanto existe de um recurso dentro de uma determinada área – ou seja, realizar um INVENTÁRIO FLORESTAL onde as plantas serão contadas e medidas - plantas adultas, matrizes, jovens... para então se obter as informações necessárias para o manejo. O conhecimento de quem vive na área também é muito importante. Deve-se também colher informações sobre as espécies animais que vivem na área e dela dependem para sobreviver, de quais frutos se alimentam e ajudam a disseminar, instetos polinizadores etc...
A capacidade de saber manejar os recursos naturais, respeitando a capacidade da natureza de repor seus estoques e manter suas funções ecológicas, de maneira ecológicamente equilibrada, economicamente viável e socialmente justa – criando novos empregos, mais renda para o homem do campo, com mais qualidade de vida - representam o desenvolvimento sustentável assim uma produção e consumo sustentáveis, com a perservação de áreas e ecossistemas frágeis e a recuperação de áreas degradadas através de agroflorestas e/ou sistemas agrosilvipastoris. A legislação, a pesquisa, a educação fornecem importantes instrumentos para se caminhar nessa direção.
Mais informações : Recursos Florestais da Mata Atlântica: manejo sustentável e certificação - www.rbma.org.br (Reserva da Biosfera da Mata Atlântica – publicações)
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
TRATAMENTO ALTERNATIVO DE ESGOTO DOMÉSTICO
Ideal para áreas rurais, costeiras e periferias urbanas onde não existe tratamento de esgoto convencional ou se usa fossas negras que contaminam subsolo e lençóis freáticos.
Trata-se da filtragem das águas negras (provindas das fossas sépticas ou diretamente dos vasos) e das águas cinzas, de tanques, pias e chuveiros, através de filtros de raízes de plantas sobre casca de arroz, areia, terra e brita dispostos em camadas alternadas, por diversas sessões até o refino final da água pelo aguapé e alfaces d’água e que poderá ser utilizada para irrigação de pomares, jardins, viveiros e para lavar áreas externas.
foto refino;Nijen paisagens
Este sistema todo poderá ser projetado de maneira a formar um belo e decorativo jardim multifuncional, pois não exala odores. Atinge uma eficiência de 99%, mostrando-se um dos mais completos sistemas já propostos. Pode ser, portanto, utilizado para todo o esgoto produzido em uma residência, sem separação das águas servidas, conforme mostrado no esquema acima. No caso de separação das águas servidas, estas podem ser ligada diretamente à segunda caixa, sem necessitar passar pela primeira, cuja fermentação se tornará mais eficiente, passando antes por uma caixa de gordura
O tratamento das águas com resíduos é resultado da união entre os processos físicos, químicos e biológicos que ocorrem pelo fíltro físico (raízes, brita e areia) e as comunidades bacterianas e macróficas (plantas ) que irão “digerir” a matéria orgânica presente nos efluentes.
zona de raízes: Foto Nijen Paisagismo
As plantas utilizadas para esse fim são: o copo-de-leite, junco ou junquinho, taboa, papiro e outras, que podem ser vendidas para floriculturas proporcionando alguma renda extra. As plantas consideradas nativas apresentam maior eficiência nas reduções da DBO e DQO (utilização do oxigênio na decomposição da matéria orgânica), resultando numa melhor qualidade da água resultante desse processo
Objetivos:
-Tratar o efluente por meio de uma tecnologia de baixo custo e fácil manutenção , evitando a contaminação do solo ao redor da residência por efluente doméstico não tratado, que pode conter agentes patogênicos, ovos e cistos de verminoses, e que influenciam negativamente à saúde da família, principalmente crianças;
- Mudar a consciência em relação aos cuidados com a água e seus usos na residência, por meio da observação do crescimento, do desenvolvimento e do aspecto paisagístico e da qualidade do efluente tratado que sai da estação de tratamento de esgoto - maior cuidado com o que se joga nos vasos sanitários;
- Integrar o sistema de tratamento de esgoto com a paisagem local, utilizando plantas nativas em áreas de Proteção Ambiental, e plantas com potencial paisagístico em áreas da zona urbana;
- Trabalhar com um sistema de tratamento de esgoto que não necessite de equipamentos que utilizem energia, funcionando todo ele por gravidade e pela ação de oxigenação das plantas.
- Incluir o sistema de tratamento de esgoto como um elemento estético integrado ao jardim da residência, justamente por não exalar odores possibilitando transformá-lo em um local de observação;
Existem inúmeros modelos seguindo esse padrão altamente eficiente, podendo-se utilizar o mais adequado para cada espaço, e as dimensões de cada “bacia” de tratamento dependerão da quantidade de “fornecedores” de cada residência. Em geral “bacias” ou tanques de 1m³ para casas com 5 moradores, portanto 0,20m³ por pessoa. Para isso pode-se utilizar caixas d’água, alvenaria, isolamento feito com lonas plásticas e outros métodos de impermeabilização do solo criando modelos e formatos decorativos.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
LEI DE RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL
Já existe a lei de responsabilidade fiscal. Um governante não pode gastar mais do que lhe permite o montante dos impostos recolhidos. Isso melhorou significativamente a gestão pública. O acúmulo de desastres sócio-ambientais ocorridos nos últimos tempos, com desabamentos de encostas, enchentes avassaladoras e centenas de vítimas fatais junto com a destruição de inteiras paisagens, nos obrigam a pensar na instauração de uma lei nacional de responsabilidade sócio-ambiental, com pesadas penas para os que não a respeitarem. Já se deu um passo com a consciência da responsabilidade social das empresas. Elas não podem pensar somente em si mesmas e nos lucros de seus acionistas. Devem assumir uma clara responsabilidade social. Pois não vivem num mundo a parte: são inseridas numa determinada sociedade, com um Estado que dita leis, se situam num determinado ecossistema e são pressionadas por uma consciência cidadã que cada vez mais cobra o direito à uma boa qualidade de vida. Mas fique claro: responsabilidade social não é a mesma coisa que obrigação social prevista em lei quanto ao pagamento de impostos, encargos e salários; nem pode ser confundida com a resposta social que é a capacidade das empresas de se adequarem às mudanças no campo social, econômico e técnico. A responsabilidade social é a obrigação que as empresas assumem de buscar metas que, a meio e longo prazo, sejam boas para elas e também para o conjunto da sociedade na qual estão inseridas. Não se trata de fazer para a sociedade o que seria filantropia, mas com a sociedade, se envolvendo nos projetos elaborados em comum com os municípios, ONGs e outras entidades. Mas sejamos realistas: num regime neoliberal como o nosso, sempre que os negócios não são tão rentáveis, diminui ou até desaparece a responsabilidade social. O maior inimigo da responsabilidade social é o capital especulativo. Seu objetivo é maximizar os lucros das carteiras e portofólios que controlam. Não vêem outra responsabilidade, senão a de garantir ganhos. Mas a responsabilidade social é insuficiente, pois ela não inclui o ambiental. São poucos os que perceberam a relação do social com o ambiental. Ela é intrínseca. Todas empresas e cada um de nós vivemos no chão, não nas nuvens: respiramos, comemos, bebemos, pisamos os solos, estamos expostos à mudanças dos climas, mergulhados na natureza com sua biodiversidade, somos habitados por bilhões de bactérias e outros microorganismos. Quer dizer, estamos dentro da natureza e somos parte dela. Ela pode viver sem nós como o fez por bilhões de anos. Nós não podemos viver sem ela. Portanto, o social sem o ambiental é irreal. Ambos vêm sempre juntos. Isso que parece óbvio, não o é para a grande parte das pessoas. Por que excluimos a natureza? Porque somos todos antropocêntricos, quer dizer, pensamos apenas em nós próprios. A natureza é exterior, posta ao nosso bel-prazer. Somos irresponsáveis face à natureza quando desmatamos, jogamos bilhões e litros de agrotóxicos no solo, lançamos na atmosfera, anualmente, cerca de 21 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, contaminamos as águas, destruímos a mata ciliar, não respeitamos o declive das montanhas que podem desmoronar e matar pessoas nem observamos o curso dos rios que nas enchentes podem levar tudo de roldão. Não interiorizamos os dados que biólogos e astrofísicos nos asseguram: Todos possuímos o mesmo alfabeto genético de base, por isso somos todos primos e irmãos e irmãs e formamos assim a comunidade de vida. Cada ser possui valor intrínseco e por isso tem direitos. Nossa democracia não pode incluir apenas os seres humanos. Sem os outros membros da comunidade de vida, não somos nada. Eles valem como novos cidadãos que devem ser incorporados na nossa compreensão de democracia que então passa a ser uma democracia sócio-ambiental. A natureza e as coisas dão-nos sinais. Elas nos chamam atenção para os eventuais riscos que podemos evitar. Não basta a responsabilidade social, ela deve ser sócio-ambiental. É urgente que o Parlamento vote uma lei de responsabilidade sócio-ambiental imposta a todos os gestores da coisa pública. Só assim evitaremos tragédias e mortes. (Envolverde/O autor) | |
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sábado, 22 de janeiro de 2011
O LIVRO - MEIO AMBIENTE E SAÚDE: O DESAFIO DAS METRÓPOLES
FILTRO DE BIOAREIA PARA ONDE NÃO HÁ ÁGUA POTÁVEL
“ÁGUA POTÁVEL E SANEAMENTO PARA TODOS?” ...PARA TODOS!
Ilustração: Monica M.T.Cseri
Em áreas onde não existe água tratada potável, onde as fontes são duvidosas, nas áreas rurais ou periferias urbanas, pode-se usar um sistema de filtragem simples, barato e eficiente como o filtro de bioareia (biosandfilter) e para tratar os esgotos de maneira alternativa, usa-se leito filtrante/zona de raízes onde a água final serve para irrigação de jardins ou pomares.
O BIOSANDFILTER OU FILTRO DE BIOAREIA:
Este modelo foi criado pela Universidade de Calgary, no Canadá e implantado no Congo, provando ser um sistema seguro e inovador, fácil de ser construido, barato e eficiente na purificação da água suja - desde que livre de poluentes químicos e metais pesados - tornado-a segura para beber quando corretamente utilizado. Ideal para locais de poucos recursos, escolas, postos de saúde ...No Brasil, foi destribuido em regiões da Amazônia.
Ajuda a controlar quase todas as doenças transmitidas pela água, como a diarréia, a cólera e o tifo. Consiste em um recipiente tubular de concreto impermeabilizado de 95cm X 35cm, tendo como leito filtrante camadas de pedras, pedrisco e areia, e sobre a areia, o principal : camada de lodo com seus organismos biológicos que fazem a “limpeza” dos organismos patológicos, a “schmutzdecke” cujo “trabalho” de purificação é continuado pela areia. Por essa razão , é necessário esperar 3 semanas para que a água se torne potável, tempo para formação e ação dessa camada de lodo que não deve ser retirada e nem mexida.
MATERIAIS:
1 * manilha de cimento de 1m X 40cm ou tambor plástico (usado para alimentos) ou fazer o filtro como descrito abaixo
2 * tudo de PVC de 15mm de diâmetro
3 * 3 cotovelos de PVC para tubo de 15mm
4 * uma chapa difusora de metal ou cerâmica da largura interna do filtro
5 * uma camada de 40cm de areia média limpa e lavada
6 *uma camada de 5cm de cascalho pequeno ou pedrisco
7 * uma camada de 5cm de pedra pequena ou brita
Fazer um molde de metal para essas medidas externas, que se abre para retirada do filtro e que possa se utilizado para construção de outros. Este, de formato retangular, foi construído e distribuído em regiões da Amazônia.
www.naturezadaamazonia.com.br
Para esse filtro utiliza-se:
· ½ saco de cimento
· 2 sacos de cascalho ou pedrisco
· 1 ½ saco de areia média
Prepare a mistura, coloque no molde a camada do fundo, o tubo de PVC para saída da água, calcule a altura das camadas de pedra e areia e 5cm acima do nível da areia faça um degrau para posicionar o difusor que é imprescindível, pois evitará o revolvimento da camada de limo durante a entrada da água. Após 2 dias abra o molde e remova o filtro e verifique se ficou alguma fissura ou buraco que deverá ser fechado com cimento. Pode-se utilizar uma “nata” de cimento e água para alisar e impermeabilizar as paredes do filtro (seja desse modelo ou de um feito com manilha).
COMO INSTALAR O FILTRO:
Isto é feito uma vez que o filtro estiver numa posição permanente: na cozinha ou onde for mais adequado. Coloque uma camada de 5cm de pedras pequenas ou brita na base, seguida de uma camada de pedrisco. Depois, encha o filtro com a areia lavada (4cm) até chegar a exatamente 5cm abaixo do nível da chapa difusora. Apóie a chapa difusora sobre a pequena borda. Encha o filtro com água. Tampe-o. A chapa difusora deve sempre ser mantida no lugar ao se despejar a água LENTAMENTE e DIARIAMENTE.Porém o filtro ainda não estará pronto para ser usado. Espere que se forme a camadinha de lodo, a scmutzdecke, o que levará umas 3 semanas. Enquanto isso, a água deverá ser fervida para consumo ou desinfetada ao sol dentro de garrafas pet transparentes.
Depois de três semanas, a água estará potável – os testes mostraram que 99% dos micróbios e contaminantes são eliminados. Simplesmente despeje a água dentro do filtro e recolha-a através do tubo (bica), em recipientes limpos. O filtro tem capacidade para 20 litros de água. Depois de encher o filtro, a água precisará ser recolhida num recipiente limpo. Normalmente, leva um minuto para filtrar um litro de água, assim, levará 20 minutos para que o conteúdo de um balde de 20 litros passe pelo filtro. O filtro pode ser utilizado com tanta freqüência quanto necessária. Onde há água encandada, colocar o filtro sob uma torneira e deixar filtrar a quantidade desejada.
MANUTENÇÃO DO FILTRO
As pessoas que usarem o filtro devem receber informações claras sobre a sua utilização e manutenção. A manutenção é muito simples e não custa nada. Há apenas algumas coisas que devem ser lembradas:
· Se não for despejada água no filtro todos os dias, a schmutzdecke pode perder muito da sua eficácia.
· Não se deve permitir que as crianças e os animais toquem o tubo (bica), para que permaneça limpo.
· Não se deve bater no filtro ou movê-lo.
· A chapa difusora deve ficar sempre no lugar, quando a água for despejada , para evitar que a schmutzdecke se danifique.
· Com o tempo, a schmutzdecke pode se tornar muito grossa, fazendo com que a água leve muito tempo para passar pelo filtro. Se isto acontecer, há duas opções:
MEXER LEVEMENTE – tampe a saída e encha o filtro com água. Mexa a água levemente e devagar com a mão limpa. Não mexa muito rápido, para que a areia não saia do lugar. Retire a água turva com uma caneca tomando cuidado para não tocar a areia. Você pode repetir isto algumas vezes, até que a água não fique mais suja ao ser mexida. Desbloqueie o tubo e permita que a água passe pelo filtro como de costume. Ela estará segura para beber quase imediatamente.
LIMPAR COMPLETAMENTE- retire cuidadosamente uma camada de 2–5 cm de areia do topo, lave-a e coloque-a de volta, caso mexer levemente não fizer com que a água volte a fluir bem - método não recomendado, pois perturba a schmutzdecke - é muito importante esperar três semanas antes de usar a água novamente, para ter certeza de que esteja potável.
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